Ofusque-me com fatos
De acordo com o dicionário Aurélio: "ofuscar" 1. Impedir de ver ou de ser visto; ocultar, encobrir, obscurecer.
Isso é o que acontece frequentemente quando o assunto é a tecnologia RFID.
Muitos estão familiarizados com os benefícios do RFID: sem contato, sem linha direta para leitura, capacidade de leitura e gravação etc. O problema é: diferentes sistemas de RFID têm diferentes capacidades e custos.
Nem todas as tags, por exemplo, são de leitura/escrita, algumas são ativas, outras passivas ou semi-passivas. A capacidade de informações que a tag pode armazenar e a distância de leitura podem variar, da mesma forma, as diferentes frequências de operação não oferecem o mesmo alcance ou taxas de transmissão de dados e não são todas as frequências que são regulamentadas em todos os países.
No entanto, encontra-se frequentes histórias de que o RFID vai resolver todos os problemas com o mínimo de esforço. Por isso, muitas empresas estão esperando por esse sistema mítico estar disponível. A percepção comum é que será “em algum momento no início do ano que vem” sempre que “um próximo ano” está se aproximando. Esperar esse sistema ser anunciado é como esperar a volta de Elvis Presley.
Hora de voltar atrás
Está na hora de parar de focar em custo e benefício e procurar resolver problemas internos de processos que afetam o Negócio.
Quando avaliamos o RFID para uma aplicação específica, é necessário começar do básico:
- Que dados precisamos codificar?
- Onde os dados serão lidos?
- Há restrições físicas ou ambientais onde os dados serão lidos?
- O objeto deve estar em movimento durante a leitura? Se sim, qual velocidade?
- Qual é a distância de leitura necessária?
- Quantas vezes os dados precisam ser lidos?
- É necessário uma operação autônoma?
Até o momento esses questionamentos auxiliariam a avaliar a aplicabilidade de quase qualquer tecnologia de Identificação Automática e Captura de Dados (AIDC). Código de barras bidimensionais certamente oferecem extensa capacidade de dados, velocidade e distância de leitura e podem ser configurados para operação autônoma, portanto, até o momento que não existam preocupações ambientais significativas o código de barras pode ser a melhor relação Custo x Benefício. Em outras palavras, ainda não está explícita a necessidade de uma aplicação RFID.
Vejamos algumas questões que poderiam sugerir o RFID:
- É necessário escrever informações na portadora de dados (*1)?
- A portadora de dados estará incorporada ou de certa forma “invisível”?
- A portadora de dados estará sujeita a contaminação em sua superfície (ex.: sujeira, tinta)?
- Será necessário ler várias portadoras de dados simultaneamente?
Se a resposta em qualquer destas questões for SIM, começamos a evidenciar a necessidade de utilização do RFID.
Por que? Porque somente o RFID atenderá as necessidades exigidas.
Preço, Custo e Retorno de Investimento (ROI)
Enquanto as empresas precisam justificar um ROI aceitável para os custos associados à implantação de um projeto RFID, ignora-se o custo da não implantação de um projeto desses.
Algumas considerações:
- A rentabilidade será mantida se o status atual for mantido?
- A empresa perderá vantagem competitiva?
- A empresa, eventualmente, sofrerá com falta de informações precisas em processos de inventário ou para gerir o Negócio de forma eficaz?
- A percepção dos clientes sobre a empresa será alterada?
- A empresa conseguirá manter sua competitividade caso os concorrentes implementem o RFID?
- As ineficiências se tornarão ingerenciáveis caso o ritmo dos negócios continue crescendo?
Não sendo inteiramente pessimista, pode-se fazer a seguinte pergunta:
- O RFID vai aumentar a capacidade da empresa atender seus clientes?
Melhorias no serviço ao cliente e fidelização algumas vezes é difícil quantificar. Às vezes é mais fácil olhar o lado negativo para compreender o valor do serviço ao cliente, ou seja:
- Qual é o custo de perder um cliente para um concorrente que oferece melhores serviços?
Certamente nem todas essas questões são aplicadas a todas as empresas, elas existem para estimular a reflexão sobre cada empresa e a sua competitividade no mercado.
Apenas para deixar claro, as perguntas não estão centradas na tecnologia em si, mas sim em processos de negócios, nas margens e na força competitiva.
Como reflexão, isto tudo não é sobre o custo das tags, isto é sobre estar presente – e à frente – no Jogo.
(*1) Portadora de Dados: item que contém os dados necessários de uma aplicação, seja um etiqueta de código de barras ou uma etiqueta RFID.
Referência: AIM Global
2010/02/12
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